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Estreito de Magalhães: atração final da Terra do Fogo

Passeio realizado no dia 01/12/2010

Após 4 dias na cidade do Fim do Mundo, chegou a hora de desbravar mais um destino. A escolha foi pegar um ônibus e cruzar a fronteira para ir até a cidade de Punta Arenas, na Patagônia Chilena.

Apesar da distância entre as 2 cidades não ser muito grande (em torno de 600 km), a viagem se torna longa (em média umas 12h) devido a fatores como a passagem pela imigração argentina e chilena, a presença de estradas de rípio em determinados pontos e a necessidade de atravessar o Estreito de Magalhães por balsa.

Rota entre Ushuaia a Punta Arenas

Além das dificuldades acima, outro fator que vale ressaltar é que a viagem não é direta. Quando se compra a passagem, na verdade é fornecido 2 bilhetes de ônibus: um para o trecho Ushuaia a Rio Grande e outro para o trecho Rio Grande a Punta Arenas.

Saindo de Ushuaia às 6h30 da manhã, o ônibus da empresa Nuevo Extremo demorou umas 3 horas para chegar a rodoviária de Rio Grande, onde todos desceram para aguardar em torno de 1 hora até a saída do ônibus da empresa Bus-Sur que faria o trajeto final até Punta Arenas.

Devido ao horário cedo e ao maravilhoso ônibus leito da Nuevo Extremo, a viagem até Rio Grande passou rapidamente. Já o trecho até Punta Arenas foi bem mais longo…

Pouco tempo após o ônibus sair de Rio Grande, houve a primeira parada da viagem no Paso San Sebastián para fazer os trâmites burocráticos de saída do território argentino e entrada no território chileno.

Paso San Sebastián

Primeiro passamos pela imigração argentina na qual apenas entregamos os passaportes ao coordenador do ônibus que tratou tudo com os oficiais da imigração. No entanto, tivemos que aguardar quase 1 hora parado no ônibus devido a implicância da imigração argentina com 1 casal espanhol porque a garota era menor de idade.

Resolvido o problema acima, tivemos ainda que passar pela imigração chilena que é a mais chata de todas. Ao contrário da argentina que nem era necessário descer do ônibus, na chilena todos devem descer do ônibus com suas bagagens e passar pelo raio-x, já que o Chile possui fortes restrições quanto a entrada de produtos em seus territórios. Mas o pior mesmo foi descer do ônibus e quase ser levado pelo vento patagônico que pela primeira vez mostrou sua verdadeira força durante a viagem.

Terminada a imigração, todos voltaram ao ônibus que agora seguiu caminho em estradas de rípio até Bahia Azul, ponto final da Ilha da Terra do Fogo e de onde saem as balsas da empresa Transbordadora Austral Broom que fazem a travessia pelo Estreito de Magalhães.

Travessia pelo Estreito de Magalhães Creative Commons License Crédito: Vera & Jean-Christophe

O Estreito de Magalhães é um canal marítimo que liga os Oceanos Pacífico e Atlântico, separando o extremo sul do continente americano da Ilha Grande de Terra do Fogo.

O português Fernão de Magalhães foi o primeiro navegador europeu a cruzar esse canal e por isso o local foi batizado como Estreito de Magalhães.

Um dado histórico é que o Estreito de Magalhães foi o principal ponto de ligação entre a costa leste e oeste do continente americano até a inauguração do Canal do Panamá.

Devido a todos esses dados, sem dúvida o ponto alto da viagem era a travessia do Estreito de Magalhães. Devido aos fortes ventos que afetam a região, esse serviço pode ser suspenso a qualquer momento, no entanto tivemos sorte e a travessia estava sendo realizada normalmente naquele dia.

Estreito de Magalhães

A travessia do Estreito de Magalhães entre Bahia Azul e Punta Delgada demora em torno de 15 minutos e as pessoas podem descer do ônibus e passear pela embarcação durante o trajeto.

No entanto, fique esperto quanto ao término da travessia, pois seu ônibus pode partir sem você como aconteceu comigo num breve momento em que resolvi ir ao banheiro da embarcação. Mas apesar do susto inicial de ficar perdido em pleno Estreito de Magalhães no Fim do Mundo, a balsa retornou ao ponto de desembarque e consegui chegar ao ônibus onde fui recepcionado com uma salva de palmas de todos os passageiros.

Já em continente, o ônibus seguiu para a parte final da viagem até Punta Arenas ao som da Rocío Durcal. Como o ônibus estava repleto de turistas estrangeiros, acredito que só eu (que adoro música hispânica) e o coordenador do ônibus que gostamos de assistir pela TV ao show completo da Rainha da Música Rancheira, o que na minha opinião fechou com chave de ouro essa viagem inesquecível pelo fim do mundo.

Ushuaia: o Fim do Mundo é aqui!

Capital da Província da Terra do Fogo, Ushuaia é a cidade mais austral do mundo e um importante pólo turístico da Patagônia Argentina.

A cidade que se desenvolveu devido a instalação do famoso Presídio do Fim do Mundo, hoje consegue viver em grande parte por causa do turismo e também por ser uma zona franca, o que torna o local perfeito para comprar produtos como bebidas alcoólicas, calçados e roupas de frio.

O que fazer em Ushuaia?

Ushuaia oferece diversos passeios que irão agradar a todos os tipos de pessoas.

Segue abaixo os passeios que realizei durante os 4 dias que estive em Ushuaia:

Parque Nacional Tierra del Fuego

Entretanto, muitos outros passeios podem ser realizados no Fim do Mundo dependendo da época do ano ou dos gostos pessoais de cada um. Os principais são:

Onde ficar em Ushuaia?

Ushuaia possui hospedagens para todos os tipos de gostos e bolsos. Como minha viagem a Patagônia foi em estilo mochileiro, fiquei hospedado durante 4 dias no ótimo albergue Antarctica Hostel.

Antarctica Hostel

O hostel oferece quartos privados para 1 até 3 pessoas, mas também é possível reservar camas individuais para quartos compartilhados com até 6 camas.

A reserva pode ser efetuada em sites como o hostelworld, como também diretamente pelo site do hostel que possui um formulário para quem deseja realizar a reserva.

O pagamento foi efetuado diretamente no hostel, sendo dinheiro a única opção aceita. Vale ressaltar que não é necessário pagar nada antecipadamente caso a reserva seja efetuada pelo site do hostel, enquanto que pelo hostelworld se paga 10% no ato da reserva além de uma taxa pelo serviço.

Eu gostei bastante do hostel já que ele me pareceu super limpo, o staff foi o mais simpático e prestativo de todos os hostels que já estive até o momento, a localização era ótima nas redondezas da Av. San Martín e do Museu do Presídio, o café da manhã estava incluído no preço da diária e possui uma cozinha grande e bem equipada para quem quiser cozinhar no local.

Antarctica Hostel

O que comer em Ushuaia?

Antes de mais nada, quero deixar bem claro que a temática gastronômica nunca foi meu objetivo em uma viagem. Eu realmente não sinto necessidade em conhecer a culinária local e não acho que a viagem fica incompleta se não degustar pelo menos 1 vez um prato típico da região que se está visitando.

No entanto, reconheço que para muitos isso é um fator importante ou até essencial em uma viagem. Dessa forma, listarei abaixo algumas dicas para quem quer comer algo típico na cidade de Ushuaia.

Centolla

A Centolla é um caranguejo gigante e a maior atração gastronômica de Ushuaia e de toda região litorânea da Patagônia.

Vários restaurantes e bares anunciam essa iguaria na fachada de seus estabelecimentos e alguns até possuem esse crustáceo como um logotipo chamativo do local.

Existem muitos pratos a base de centolla como sopas, risotos e empanadas. No entanto, a principal receita da Terra do Fogo é a centolla fueguina.

Centolla Creative Commons License Crédito: André Oliveira

Cordeiro Patagônico

Assim como a Centolla, o Cordeiro Patagônico é o carro chefe de diversos restaurantes presentes em Ushuaia.

Os restaurantes costumam colocar vários cordeiros assando numa área de fácil visão aos que caminham pelas ruas de Ushuaia com o objetivo de atrair os turistas a pararem em seus estabelecimentos para provarem um almoço típico da Ilha da Terra do Fogo.

Cordeiro Patagonico

Curiosidades

Porque Fim do Mundo?

Ushuaia é a cidade mais ao sul do planeta, e por isso a cidade recebeu esse título de cidade do fim do mundo.

Aliás, esse marketing gerado pelo nome Fim do Mundo acabou virando piada na região já que em busca de divulgação, tudo na região acaba sendo batizado com esse nome: o Correio do Fim do Mundo, o Trem do Fim do Mundo, a Cidade do Fim do Mundo, o Museu do Fim do Mundo e etc.

Mas ao contrário do que muitos pensam, apesar de Ushuaia ser a cidade mais próxima da Antártida, ela não possui um clima tão inóspito como se encontra em outras cidades próximas ao Pólo Norte, visto que a latitude de Ushuaia se equipara a cidades como Liverpool na Inglaterra, Copenhague na Dinamarca ou Moscou na Rússia e é superada por quaisquer cidades suecas por exemplo.

Fim do Mundo

Porque Terra do Fogo?

Os primeiros navegadores europeus que se aventuraram nessa região ficaram surpresos com as grandes chamas que avistavam desde suas embarcações e, por isso, batizaram o local como Terra do Fogo.

No entanto, essas chamas não eram produzidas pelo solo da região, mas sim pelos índios yámanas que foram os primeiros habitantes da Ilha da Terra do Fogo.

Mais curiosidades?

Se você souber de mais alguma informação inusitada sobre Ushuaia ou possui curiosidade em descobrir o motivo de algo do fim do mundo, deixe um comentário abaixo para que todos possam conhecer um pouco mais sobre essa região remota do nosso planeta.

Lagos Fagnano e Escondido – Ushuaia

Passeio realizado no dia 30/11/2010

A visita aos Lagos Fagnano e Escondido acabou sendo a escolha do último passeio a ser realizado na cidade de Ushuaia.

Apesar do passeio ser conhecido pelos lagos, todas as excursões incluem mais atrativos como uma visita ao Valle Carbajal, uma parada em algum Centro Invernal independente da época do ano e termina com um belo almoço às margens do lago.

Valle Carbajal

Primeira parada da excursão, o mirante do Valle Carbajal está localizado ao lado da Ruta Nacional nº 3, também conhecida por ser o trecho final da rodovia panamericana.

A vista que se tem do mirante é dominada por várias montanhas com seus picos nevados e um grande turbal cercado por bosques.

Nesse mirante existem algumas placas informativas que ajudam o turista a conhecer um pouco sobre a vegetação, a fauna e a geologia do Valle Carbajal. Uma curiosidade informada em uma dessas placas é que esse vale era um pequeno glaciar há milhares de anos atrás, assim como o Estreito de Magalhães, o Canal de Beagle e o Lago Fagnano.

Valle Carbajal

Centro Invernal Valle de Lobos

Após a parada no Mirante do Valle Carbajal, a excursão segue viagem e o próximo destino é o Valle de Lobos.

Devido a sua posição geográfica privilegiada, esse centro invernal permanece com neve durante todo o inverno e, dessa forma, sua principal atração é o passeio de trenó puxado pelos cães da raça Husky Siberiano.

Valle de Lobos

Husky Siberiano

No entanto, como o passeio foi realizado no fim da primavera, a excursão para no Valle de Lobos apenas para que os turistas conheçam o local, tomem um café enquanto assistem um vídeo que mostra os cães puxando os trenós durante o inverno e também para que vejam os cães que são o principal ganha-pão do Valle de Lobos.

Lago Escondido

Terceira parada do passeio, o Paso Garibaldi é mais um mirante a beira da estrada.

Paso Garibaldi

Nesse mirante é possível observar o Lago Escondido em primeiro plano, além de uma parte do Lago Fagnano ao fundo.

Localizado a 60 km da cidade de Ushuaia, o Lago Escondido possui esse nome por estar encravado no meio da Cordilheira dos Andes e ser rodeado por bosques.

Apesar do dia bastante nublado e com chuviscos intermitentes, a vista que se contempla desde o Paso Garibaldi faz valer a pena o deslocamento desde Ushuaia.

Lago Escondido

Lago Fagnano

Parada final da excursão, o Lago Fagnano possui quase 100 km de extensão e se localiza na região fronteiriça da Ilha de Tierra del Fuego, sendo que a maior parte pertence a Argentina, enquanto pouco mais de 5% de sua área total está situada em terras chilenas.

Lago Fagnano

Nossa excursão parou no Restaurante Kaiken, localizado às margens do Lago Fagnano, para um almoço típico da região: Cordeiro Patagônico.

Após o almoço, todos tiveram um tempo para caminhar por uma curta trilha localizada no terreno pertencente ao restaurante. Por essa trilha era possível chegar da cabeceira até um local onde se observava toda a grandiosidade do Lago Fagnano.

Lago Fagnano

Como ir aos Lagos?

Esse passeio pode ser realizado de 3 formas:

Ônibus

A maioria dos pacotes turísticos seleciona essa forma de viagem visto que é um passeio que tanto crianças quanto idosos podem realizar sem preocupações.

Nesse passeio, um ônibus com a presença de um guia buscará as pessoas em seus hotéis e as levará para conhecer os pontos turísticos.

Várias agências realizam esse passeio como a Tolkeyen Patagonia.

Ônibus da Tolkeyen Patagonia

Carro

Semelhante ao passeio de ônibus, alugar um carro é perfeito para quem deseja visitar os lagos mas não gosta de ficar preso a excursões de pacotes turísticos. Além disso, alugar um carro sairá mais barato que pagar por uma excursão caso se esteja em grupo.

Off-Road 4x4

Essa é a forma escolhida pela maioria dos mochileiros que visitam Ushuaia e também por aqueles que buscam uma viagem com aventura, na qual não só os pontos turísticos são relevantes, como também o caminho até os locais se tornam atrações durante o passeio.

Ao contrário do passeio de ônibus e carro, em certo ponto da estrada que leva aos lagos, o Land Rover 4x4 sai do asfalto e se enfia no meio dos bosques por um caminho onde a aventura começa pra valer.

Várias agências realizam esse passeio, sendo as mais famosas a Canal Fun e a Nunatak.

Circuito Lapataia – Parque Nacional Tierra del Fuego

Passeio realizado no dia 29/11/2010

Continuando o relato sobre o Parque Nacional Tierra del Fuego, após passar a manhã e o comecinho da tarde apreciando as belas paisagens da Senda Costera, chegou o momento de se aventurar pelas trilhas da região conhecida como Circuito Lapataia.

O Setor Lapataia é a região mais visitada pelos turistas que vão ao Parque Nacional Tierra del Fuego e isso se deve a 2 motivos principais.

O primeiro deles é o fato de que é lá onde termina a Ruta Nacional Nº 3 que nada mais é que o ponto mais ao sul da estrada que cruza as Américas de Norte a Sul.

Ponto final da estrada que liga as Américas de Norte a Sul

Já o segundo motivo se deve ao fato de que, ao contrário das demais trilhas do Parque que são caminhadas de maior duração, o setor Lapataia oferece diversas trilhas de curta duração. Dessa forma, o turista mais sedentário pode escolher fazer uma caminhada de poucos minutos assim como os turistas mais dispostos podem se aventurar por todas as pequenas trilhas da área.

Paseo de la Isla

Essa trilha costuma ser a primeira ou a última a ser percorrida pelos turistas no Circuito Lapataia já que se encontra próxima as demais trilhas do Parque como a Senda Costera.

O nome da trilha se deve ao fato da caminhada ser realizada totalmente em uma ilha banhada pelos rios Ovando e Lapataia no Arquipélago Cormoranes.

Início da Trilha Paseo de la Isla

O Paseo de la Isla é uma trilha bastante fácil como todas do Circuito Lapataia. O caminho a ser percorrido é de apenas 600 metros e não é necessário fazer o caminho de volta já que ela se conecta com as demais trilhas do Parque.

O visual ao longo dessa curta trilha combina muita água e vegetação com montanhas de picos nevados ao fundo. Em alguns pontos da trilha também é possível observar a paisagem a partir de mirantes de madeira que se integram bem a natureza do Parque.

Paisagem durante a Trilha Paseo de la Isla

Laguna Negra

Essa trilha é ainda mais fácil que a anterior, já que o percurso é feito sempre em um caminho demarcado que lembra bastante as trilhas presentes em parques de cidades urbanizadas. Dessa forma, essa trilha é parada obrigatória de todo ônibus de excursão que leva os turistas a conhecerem pelo menos um pouquinho do P. N. Tierra del Fuego.

Início da Trilha a Laguna Negra

A distância da trilha é de pouco menos de 1 km, no entanto, ao contrário da trilha Paseo de la Isla, se faz necessário percorrer o caminho de ida e volta pelo mesmo trajeto, já que a trilha a Laguna Negra não se conecta com nenhuma outra trilha.

Como o nome já diz, a trilha Laguna Negra leva o turista a conhecer um lago que possui uma água de coloração escura. Além disso, ao redor desse lago se encontra um turbal em processo de formação que torna a paisagem ainda mais incrível.

Laguna Negra

Senda del Turbal

Essa trilha é uma das mais longas entre todas do Circuito Lapataia. Seu percurso total é de 2 km ao longo de bosques e turbais.

Principal atração dessa trilha, um turbal é um terreno úmido formado por plantas mortas que se decompõem lentamente devido as baixas temperaturas, a falta de oxigênio e a acidez da água que impedem a atividade das bactérias. Dessa forma, a quantidade de matéria orgânica que se decompõe é menor que a gerada pelas plantas que crescem no turbal.

Início da Trilha do Turbal

Uma curiosidade informada em uma das placas presentes ao longo das trilhas é que, por causa da sua capacidade de acumular elementos orgânicos que não se encontram em decomposição completa, é possível extrair dos turbais informações sobre as condições climáticas e ecológicas do local no passado e assim analisar sobre possíveis mudanças climáticas na região.

Turbal

Senda Castorera

Com apenas 400 metros de percurso, essa curta trilha está conectada com a trilha do Turbal e possui como principal atração a possibilidade de se observar o impacto produzido pelos castores em uma área que apresenta uma colônia ativa desses animais.

Conta a história que em 1946, 25 casais de castores americanos foram introduzidos na Ilha de Tierra del Fuego com o objetivo de se obter o couro do animal.

No entanto, os castores encontraram um ambiente bastante favorável na região por ser um local semelhante ao seu hábitat original mas ainda melhor devido a ausência de predadores e de competidores naturais.

Início da Trilha a Castorera

Dessa forma, os castores se reproduziram rapidamente, passando de 50 para um número estimado em 100 mil, tornando-se dessa forma uma praga na região.

Mas os castores são considerados pragas atualmente não apenas pela grande quantidade de animais presentes, mas devido as alterações que eles provocam no ecossistema local.

Os castores cortam as árvores para se alimentar, para gastar os dentes e para construir os diques onde se instalam. No entanto, essa alteração na vegetação provocada pelos castores tem causado o desaparecimento dos bosques da Tierra del Fuego, pois essas árvores não crescem novamente como nos locais de origem dos castores, produzindo paisagens devastadoras no P. N. Tierra del Fuego.

Dique formado pelos castores

Mirador Lapataia

A trilha que leva ao mirante onde é possível ter uma vista panorâmica da Bahia Lapataia é uma caminhada leve e totalmente demarcada.

Início da Trilha ao Mirador Lapataia

Com extensão de menos de 1 km, essa trilha provavelmente é a mais visitada no Parque pois se encontra no final da estrada que corta as Américas de Norte a Sul e também por possuir uma infra-estrutura excelente para os turistas, contando com passarelas de madeira e caminhos fáceis de serem percorridos por pessoas de qualquer idade.

Bahia Lapataia vista desde o Mirante

Senda de la Baliza

Essa trilha é a mais longa do Circuito Lapataia com 2,5 km de extensão. No entanto, como essa trilha não se conecta com nenhuma outra, é necessário andar 5 km ao total fazendo o mesmo trajeto na volta.

Início da Trilha de la Baliza

Assim como na Castorera, essa trilha passa por uma colônia ativa de castores. Portanto, é uma grande oportunidade para avistar essas pragas que tanto ameaçam o ecossistema local.

Senda Costera – Parque Nacional Tierra del Fuego

Passeio realizado no dia 29/11/2010

O Parque Nacional Tierra del Fuego é uma das principais atrações para todos àqueles que visitam Ushuaia e apesar de ser um passeio voltado principalmente aos que desejam ver paisagens magníficas através de horas de caminhada, também é possível conhecer alguns pontos do Parque sem tanto esforço físico.

A entrada do Parque está localizada a uns 12 km da cidade e a melhor forma para chegar até lá é contratando um transfer. Existem várias empresas que fazem esse transporte que sai de hora em hora de Ushuaia pela manhã e do Parque ao fim do dia.

Dentre as várias opções de trilha que o Parque oferece, escolhi fazer a Senda Costera pela manhã e depois fazer as trilhas do Circuito Lapataia. Dessa forma, a melhor opção seria começar a Senda Costera pela Bahia Ensenada e assim pedi para o transfer parar pouco depois da entrada do Parque no local mais próximo de onde começaria essa trilha.

Placa indicando o início da trilha

A trilha conhecida como Costeira (Senda Costera) é uma das mais belas do Parque e seu nome se deve porque grande parte dessa trilha é realizada margeando as águas do Canal de Beagle.

A extensão total da Senda Costera é de 8 km e é possível percorrê-la começando tanto pela Bahia Ensenada nas proximidades da entrada do Parque quanto pela outra ponta que se localiza nas proximidades do Lago Roca.

Paisagem durante a Senda Costera

Logo no começo da Senda Costera se encontra uma das atrações mais famosas da região que é o Correio do Fim do Mundo. Nesse correio é possível enviar um postal ou carimbar seu passaporte com a temática do Fim do Mundo que tanto se fala, mas na minha humilde opinião é uma atração pega-turista assim como o famoso passeio do trem do fim do mundo que te leva do nada ao lugar nenhum.

Mas voltando a trilha, a primeira metade do caminho é realizada margeando a Bahia Zaratiegui quase todo o tempo e sem dúvida alguma é a parte da trilha na qual serão observadas as melhores paisagens.

Vista da Bahia de Zaratiegui durante a Senda Costera

Impossível não ficar hipnotizado com a cor e a transparência da água nos mais diversos pontos da trilha. Em certos momentos a água possui uma cor azul turqueza, depois muda para um azul piscina e caminhando um pouco mais a água está com uma coloração verde esmeralda.

Depois de ver tanta beleza, resta apenas uma dúvida: se é pecado uma água tão gelada impedir que todos mergulhem nesse mar lindo ou se é uma benção já que a temperatura baixa é um protetor natural que não permite a degradação do local.

Paisagem durante a Senda Costera

Já a segunda metade do caminho da Senda Costera é realizada primeiramente margeando a Bahia Lapataia e em sua parte final a trilha adentra pelos bosques do Parque.

Assim como na Bahia Zaratiegui, o visual que se tem na trilha que margeia a Bahia Lapataia é de tirar o fôlego. As paisagens de praias de pedrinhas com água cristalina contrastam com os picos nevados e bosques que são onipresentes durante toda a trilha.

Prainha na Bahia de Lapataia durante a Senda Costera

Depois de já ter caminhado bastante pela costa, a trilha muda de direção e segue para o interior do bosque do Parque. A vegetação presente no Parque é bastante verde e úmida, ao contrário da vegetação vista em grande parte da Patagônia que é caracterizada principalmente pela vegetação rasteira e seca típica de áreas desérticas.

Isso se deve pois Ushuaia se encontra entre o Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes ao contrário das demais cidades patagônicas. Dessa forma, a região se torna mais úmida pois não tem a Cordilheira dos Andes como barreira natural para impedir a chegada das nuvens vindas do Pacífico.

Bosque durante a Senda Costera no Parque Nacional Tierra del Fuego

Dentre as mais variadas plantas e árvores que é possível observar no Parque Nacional Tierra del Fuego, o que chama mais atenção a todos os que caminham pelo bosque são os fungos conhecidos como pan de indio. Esse fungo é um parasita que se aloja nos troncos e galhos das árvores e seu nome vem do fato de que os yámanas se alimentavam com esse fungo.

Árvore cheia de pan de indio

Pan de indio

Em resumo, apesar do passeio exigir um certo preparo físico, essa trilha possui uma dificuldade de moderada a baixa já que grande parte da caminhada é realizada num terreno plano e não existe a necessidade de ir e voltar pela mesma trilha, ou seja, só será necessário caminhar uma vez os 8 km de extensão da trilha. Além disso, com tantas paisagens lindas ao longo do caminho, sempre haverá uma desculpa para um descanso ao longo da caminhada para tirar uma foto ou simplesmente para contemplar o visual do Parque que é a principal atração de Ushuaia na minha opinião.

Navegação pelo Canal de Beagle – Ushuaia

Passeio realizado no dia 28/11/2010

Um dos passeios mais procurados por todos os turistas que desembarcam em Ushuaia é a navegação pelo Canal de Beagle.

O Canal de Beagle é um estreito marítimo que liga os Oceanos Pacífico e Atlântico e que separa a Ilha Grande de Terra do Fogo de outras ilhas menores.

Vista de Ushuaia desde o Canal de Beagle

Várias empresas localizadas em pequenas casinhas no Cais Turístico de Ushuaia oferecem esse passeio e então surge a dúvida sobre qual opção escolher.

Navegar num grande catamarã, num barco ou num veleiro? Visitar ou não a pinguineira? Descer para fazer uma pequena caminhada ou não? Se encarar o trekking, descer na ilha Bridges ou na ilha H?

A opção eleita foi a navegação no veleiro IF da empresa Três Marias porque:

  • Navegar num veleiro é muito mais atrativo que em uma grande embarcação já que o veleiro comporta menos pessoas (limite de 10 pessoas por passeio) e pode se aproximar mais das ilhas.
  • Visitar a ilha H é mais atrativo já que é um trekking mais demorado (em torno de 1h) e possui maior biodiversidade do que a ilha Bridges. Além disso, a ilha H é uma reserva natural na qual somente a Três Marias possui permissão para desembarcar.
  • Visitar a pinguineira no passeio pelo Canal de Beagle é furada pois só será possível ver os pinguins da Isla Martillo desde o barco. O melhor seria contratar um passeio a parte para visitar a Isla Martillo na qual será possível desembarcar na ilha para ver os pinguins de perto.

Veleiro IF

Três Marias

Em resumo, a navegação no veleiro IF da empresa Três Marias é um passeio com paradas na Isla Alicia e na Isla H e a duração total do passeio é de 4h.

Isla Alicia

Também conhecida como Isla de los Lobos, a Isla Alicia é na verdade um grande rochedo localizado no Canal de Beagle e que foi a primeira parada da navegação.

Depois de ½ hora de navegação o veleiro começou a se aproximar da ilha e quanto mais a embarcação se aproximava, mais forte era o fedor e o barulho produzido pelos animais. O cheiro é semelhante ao que se sente quando se visita um Mercado de Peixe, no entanto, na Isla Alicia esse cheiro é muito mais acentuado.

Isla Alicia (Isla de los Lobos)

Na ilha é possível avistar uma grande quantidade de aves, principalmente gaivotas e cormoranes reais e imperiais. Aliás, numa primeira vista muitos confundem os cormoranes com pinguins, no entanto é fácil identificar um cormoran pois esse sabe voar ao contrário dos pinguins.

Mas apesar das aves estarem em maioria, os grandes protagonistas da ilha são os leões marinhos. Aliás, a Isla Alicia também é conhecida como Isla de los Lobos justamente pela presença dos leões marinhos que são conhecidos como lobos marinos por lá.

Isla Alicia e sua fauna: gaivotas, cormoranes e leões marinhos

Trekking na Isla H

Depois da visita a Isla Alicia, o veleiro partiu em direção a Isla H onde seria realizada uma caminhada.

A Isla H está para a Argentina como o Chuí está para o Brasil, ou seja, é o ponto mais ao sul do país. Além disso, essa ilha é uma reserva natural desabitada e seu nome se deve ao formato da ilha que lembra a letra H se observada desde o alto.

Trekking na Isla H

A caminhada na ilha começou com o guia nos explicando sobre a vegetação local e nos advertindo para não pisar numa planta que parecia uma rocha coberta de musgo cuja presença é constante na ilha.

Depois disso o guia nos mostrou alguns ossos que eram dos yámanas e aproveitou para contar um pouco sobre a histórias desses índios que viviam nessa região.

Guia Juan Pablo mostrando os ossos dos yámanas na Isla H

O ponto final da caminhada é um paredão rochoso que serve de habitat para diversos cormoranes.

Esses cormoranes são conhecidos como cormoranes de cuello negro ou cormoranes rockeros. O nome cormoran de cuello negro surgiu por causa da plumagem negra que essas aves apresentam na região do pescoço, enquanto que o nome cormoran rockero se deve ao fato dessas aves construírem seus ninhos em paredões rochosos como pode ser visto na foto abaixo da Isla H.

Cormoranes rockeros na Isla H

Pouco antes de chegar a esse paredão, o guia falou um pouco sobre essa espécie de cormoran e pediu a todos que falassem baixo ou mantivessem silêncio dali pra frente.

O guia disse que até o dia anterior não havia eclodido nenhum ovo e portanto dificilmente veríamos um filhote de cormoran. No entanto, justo no momento da nossa chegada um filhote resolveu nascer e podemos contemplar esse espetáculo da natureza que fechou com chave de ouro o passeio (com algum sacrifício é possível observar a cabeça do filhotinho na foto abaixo).

Cormoran rockero e seu filhotinho que acaba de nascer

Glaciar Martial – Ushuaia

Passeio realizado no dia 28/11/2010

Nas proximidades da cidade de Ushuaia se encontra a Cadeia de Montanhas Martial (Cerro Martial) e no cumbre dessas montanhas se localiza um dos pontos mais visitados pelos turistas: o Glaciar Martial.

O Glaciar Martial, cujo nome se deve ao capitão francês da embarcação La Romanche Luis Fernando Martial que esteve nessa área no fim do século XIX, é uma atração para qualquer época do ano. No inverno, o Glaciar tem como principal atrativo as pistas de ski, enquanto no verão o grande objetivo dos turistas é observar o Canal de Beagle e a cidade de Ushuaia desde o alto do Glaciar.

Glaciar Martial

O ponto inicial do Glaciar se encontra a 385 metros acima do nível do mar e desde esse ponto é possível subir pelo teleférico ali instalado até a um ponto 585 metros acima do nível do mar ou então subir a pé por um caminho que fica ao lado do teleférico.

A partir do ponto mais alto do teleférico, a trilha segue por um caminho sem grandes atrativos já que a vegetação diminui consideravelmente, até certo ponto onde as únicas  coisas que se poderão obervar serão pedras e neve.

Ponte na trilha ao Glaciar Martial

Mas a grande atração para os que desejam subir o Glaciar Martial será sem dúvida a incrível vista que se observará de toda a cidade de Ushuaia e do Canal de Beagle com suas diversas ilhas. Além disso, também é possível ver ao fundo a Ilha Navarino, ilha chilena onde se encontra Puerto Williams que deverá roubar de Ushuaia daqui a algum tempo o título de cidade mais austral do mundo (apesar de Puerto Williams ser mais austral, o local ainda não é considerado uma cidade e sim uma base militar naval chilena).

Vista da cidade de Ushuaia e do Canal de Beagle desde o Glaciar Martial

A trilha seguirá em subida constante até que chegará a um ponto que se encontra a 850 metros acima do nível do mar onde não se deve continuar a caminhada a menos que se possua equipamentos específicos para caminhada no gelo.

O tempo total estimado para subir e descer o Glaciar Martial fica em torno de 2 horas caso se suba com o teleférico. No entanto, caso não se deseje subir pelo teleférico, deve-se adicionar 1 hora no tempo previsto de caminhada.

Ponto final da trilha ao Glaciar Martial

Quer mais informações?

Para obter mais informações a respeito do Glaciar Martial, acesse o site do Glaciar Martial que é mantido pelo Secretaria de Turismo da Província de Terra del Fuego.

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